sexta-feira, junho 16, 2006

O Balão Cor de Laranja

Soltaram-se os balões.
O Branco enchia o céu em tom de paz.

O Sr. Aberto, responsável pela última parte da festa, estava satisfeito. “ Trezentos balões brancos”, pensou sorrindo.

Mas lá no meio, quando os trezentos exemplares já iam altos, subia uma outra cor. Era um balão cor-de-laranja.
O Sr. Alberto sentiu o seu trabalho violado. “Mas eu verifiquei um a um, eram todos brancos”. E olhando para o lado viu o Tiaguinho e logo percebeu. Por ser tão novo – tinha cinco anos – e ter sempre resposta para cada situação, acabava por ser a alegria da aldeia.
O Tiaguinho olhava o céu com um olhar que era de contemplação e de orgulho.
- Diz-me Tiaguinho, foste tu, não foste?
- O quê? – respondeu perguntando o menino.
- O balão cor-de-laranja, filho!
- Ah! Sim! Isso fui eu fui. Gostou?
- Deviam ser todos brancos. Hoje é dia de nossa Senhora da Conceição e eu fiquei encarregue dos balões. Deviam ser brancos, rapaz. Brancos como a pureza de Maria.
O Tiaguinho baixou então os olhos e deixando o céu longe da vista, encarou o Sr. Alberto e cerrou-os.
- Humm…que me queres dizer, Tiaguinho? - perguntou o Sr. Alberto.
Antes de falar o menino respirou fundo, parecendo estar a escolher bem as palavras.
- Pura Ela já sabe que é! Queria dizer-Lhe que para mim Ela é especial. É alegria. E a alegria é cor-de-laranja.


Sem comentários: