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Desfecho
Eras tu, serias sempre tu! – pensava.
A noite ia caindo, escura, fria, silenciosa.A Maria era alta, morena, magra e bonita. Era retratada pelos amigos, que eram muitos, como sensível e muito, muito divertida.
Mas hoje, ali, rodeada de pessoas, sentia-se só, sem vontade de rir,triste… e não se sentia sensível.
Eras tu. Serias sempre tu! – continuava, a murmurar…
E as pessoas moviam-se na sala. Falavam com a Maria, de vez enquando, que não levantava os olhos, não os movia. Acenava com a cabeça mas não pronunciava uma única sílaba.
A Maria, que sempre fora bonita estava pálida. A cara estava sem expressão…
Eras tu, serias sempre tu! – e começou a pensar na história da sua vida.Quando tinha 16 anos conheceu o João. Ele tinha 22 anos na altura, mais vivido, meio malandro mas, mesmo assim, aos olhos dela era perfeito. Foi a primeira paixão da vida dela. Namoraram dois anos. Conturbados 24 meses, diria ela. Sempre com incertezas: “Será que o amo mesmo? Será que não haverá alguém melhor?”, questionava-se antes de se deitar. Mas sempre que o namoro parecia tremer e o João batia a porta, as dúvidas pareciam dissipar-se. E aí, Maria pensava que o amor era mesmo verdadeiro e seria eterno…
Contudo, numa dessas vezes em que as dúvidas eram muitas, a Maria disse ao João:
- Não sei se ainda gosto de ti. Não me quero prender. Tenho dúvidas.
O João saiu porta fora e, mais uma vez, a Maria compreendeu que o amava.
Como todas as outras vezes, a Maria correu atrás do João. Sorriu ao pensar no abraço da reconciliação que estaria para breve. Esticou o braço e agarrou o do João, que se virou imediatamente.
- Adoro-te João. Desculpa. Vamos ficar juntos!
Mas o olhar do João estava diferente.
- Pois Maria. As tuas indecisões não resultam. O que sinto por ti é especial mas não dá. Esquece. – virou costas e sumiu.
Durante dias, a Maria chorou. Gostava dele mas não tinha coragem de voltar atrás. Tinha medo de ser rejeitada. Gostava dele como Dona Inês de Dom Pedro, como Julieta de Romeu. Talvez por pensar assim, aceitasse o destino de não ficar com ele.
Soube mais tarde, por amigos comuns, que o João tinha uma nova namorada. Chamava-se Joana e era muito bonita.
Aí, a Maria soube que tinha perdido o João para sempre e que afinal…a culpa tinha sido dela. Tola!
Agora ali, passados 40 anos, o coração voltava a ter 16. O amor por João era ainda o mesmo. E agora, a Maria sabia que ele nunca o saberia.
Rodeada de pessoas, a Maria segurou numa margarida. Avançou para o caixão, poisou a flor e murmurou-lhe ao ouvido:
- Eras tu! Serias sempre tu, meu amor!
1 comentário:
Parou de escrever?
Faltam dois dias!!!
Beijos.
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