sábado, setembro 16, 2006

Thriller

Saí de casa. Estava escuro, o vento ondulava o meu cabelo.
O frio entrava pelas mangas do casaco preto de cabedal e percorria o caminho até às minhas costas, até se tornar num arrepio.

A rua estava deserta. Folhas voavam e pairavam no ar, em sinal de desafio à gravidade.
Virei à esquerda, para uma rua que eu sabia ser apertada e escura. Tentei apressar o passo quando ouvi uma voz grossa, com um tom grave que parecia querer estimular o pior que há em mim.
Olhei para trás. Não vi ninguém.
Apressei o passo, segurei a gola do casaco e apertei-a contra o pescoço. Ouvi um grito, mesmo ao meu ouvido. Os meus passos passaram a corrida.
E aí vi-o, de preto e sorriso branco. Tinha os olhos arregalados, a cara estranhamente pálida, o cabelo era escorrido, enorme e preto. Vestia uma roupa fora de moda, toda preta, coberta por um longo casaco vermelho.
Ele disse-me:
- Gostavas de saber qual é a sensação de voar?
Não disse nada, olhei-o enquanto se aproximava, os olhos eram vermelhos raiados de preto. O rosto era ainda mais branco de perto. Abriu a boca e mordeu-me. Agora vivo em busca de sangue. Sangue jovem e fervilhando…sentes-me aí ao teu lado?

1 comentário:

sushi mata disse...

tenta nao me deixar marcas... ah é verdade, o meu sangue está fora de validade.convem avisar nao vas ter uma gastrite!